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Especial Expodireto: Tecnologia aliada ao manejo pode recuperar o solo

07/03/2018

Soluções são apontadas aos problemas que impedem os grãos de atingir sua capacidade produtiva durante debate na Expodireto Cotrijal

O manejo aliado a tecnologia podem solucionar um problema complexo dos agricultores que tem restringido o aumento da produtividade em função da atual estrutura do solo. A construção de um solo fértil e descompactado também é a saída para impedir as grandes quebras de safra em anos de chuva abaixo dos volumes normais. O assunto esteve em discussão na tarde desta terça-feira (6) no Parque de Exposições da Expodireto Cotrijal, durante o 3º Fórum Estadual de Conservação do Solo e da Água.

Na ocasião, o diretor superintendente da Montagner, José Vilmar Maccarini apresentou a empresa para produtores, pesquisadores e técnicos que participavam do Fórum. Maccarini relatou que a Montagner é uma das mais novas empresas de máquinas agrícolas no ramo, fundada em janeiro de 2017 por um grupo de empresários passo-fundenses com o objetivo de trazer soluções aos produtores. Com base nisso, lançou duas tecnologias: a Supera, uma plataforma de milho com espaçamentos de 45cm ou 50cm e a Fertillus, um equipamento que descompacta o solo, conservando o Plantio Direto. “Nosso objetivo como empresa é sanar as dificuldades do agricultor, colaborando com a melhoria da produtividade, oferecendo equipamentos com diferenciais tecnológicos”, destaca Maccarini.

A Fertillus descompacta e constrói o solo em profundidade, qualificando o Plantio Direto. Tecnologia inédita no país com sistema pneumático de injeção de corretivo e sulcadores pantográficos. Ela corrige o perfil do solo em até 40 cm de profundidade, sem revolvimento, preservando a matéria orgânica para um melhor desenvolvimento radicular. Trata-se de uma descompactadora e fertilizadora em uma única operação.

Representando a Embrapa Trigo, o pesquisador Jorge Lemainski apresentou resultados de pesquisas realizadas em solo compactado em sistema Plantio Direto em 11 estados em 13 unidades, onde foram identificados os aspectos da compactação e adensamento do solo e as tecnologias que vão ajudar a encontrar saídas. Segundo ele, a solução do problema é complexo e tem restringido o aumento das produtividades, mas viu-se que nestas unidades demonstrativas, pode-se chegar no cultivo do trigo 138 sacas/hectare; da soja em 150 sc/ha e o milho a 309 sc/ha como atingiu no ensaio local na Embrapa.

“Existem cultivares com alto potencial produtivo, mas ele acaba sendo restrito quando colocado no solo, que é o fator limitante. “Os efeitos da compactação do solo refletem diretamente no rendimento da soja e do milho. É preciso compreender que a planta reflete em cima do solo o que ela encontra na parte debaixo do solo”, comenta.

Como solução, Lemainski pontua a harmonização da colocação de material orgânico, ou seja, biomassa ou raiz em qualidade e quantidade anual de 12 toneladas, sendo o ambiente que a agricultura tropical e subtropical exigem para se fazer sistema Plantio Direto.

Sobre o que levou o solo estar compactado como está atualmente, impedindo que a planta responda seu potencial produtivo, o pesquisador pontua três fatores: clima, planta e solo necessários para ocorrer um sistema de produção agrícola. Entretanto destaca que desde 1983, o posicionamento da Embrapa no sistema é de que há necessidade também de diversificar as culturas. “Temos tido monocultivo no verão e inverno e é preciso intensificar o uso da terra com uma matriz produtiva, que envolva a colocação de plantas, em especial gramíneas. Se o milho não entrar no sistema, seguramente teremos dificuldade de gerar os agregados de solo para construir a fertilidade de um solo bem expansivo ao potencial genético que as plantas tem. O fator limitante é a estrutura do solo”, ressalta.

Acrescentando que “o país tem na produção de alimentos um dos maiores negócios e é onde temos vantagem em comparação ao mundo. O problema não é tecnologia, é o manejo”.

A Cotrijal defende a manutenção de palha no solo deixando-o protegido, a rotação de culturas, melhorar a qualidade química, física e biológica, mas não é possível realizar estes processos com o monocultivo. De acordo com o coordenador técnico de Difusão da cooperativa, Alexandre Doneda, é importante incluir o milho no sistema e desta forma, o produtor vai conseguir obter sua renda. “Intercalando o plantio de verão e inverno também com milho ele terá maiores rendimentos em outras culturas, além de propiciar a melhoria da estrutura do solo”, pontua.

Durante o Fórum, o professor da Unicruz, Jackson Fiorin, comentou que a conservação do solo e da água no Estado está baseada na qualificação do sistema Plantio Direto. E enfatizou ainda a importância de deixar o solo coberto na entressafra.