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Uma solução para a compactação e correção do solo

06/03/2018

Engenheiro mecânico participou de projetos que deram início ao sistema Plantio Direto, agora oferece ao produtor maquinário que pode dar continuidade ao sistema com máxima eficiência em produtividade

 

Disponibilizar ao produtor tecnologias eficazes. Com essa prerrogativa o engenheiro mecânico Paulo Montagner trabalha no desenvolvimento de tecnologias voltadas ao aumento de produtividade, por meio de soluções, a problemas recorrentes, como a compactação do solo. Em 2017, após fundar a Montagner Indústria de Máquinas juntamente com um grupo de sócios em Passo Fundo (RS), lançou a Fertillus - máquina que descompacta e permite a correção do solo - tecnologia inédita no mercado brasileiro. Tecnologia estará presente na Expodireto Cotrijal que acontece de 5 a 9 de março em Não-Me-Toque.

“Nos últimos cinco anos observamos as dificuldades relatadas por produtores e pesquisadores no trato com o solo devido ao longo tempo sem terem sido realizadas as correções no subsolo. Na parte mais superficial, camadas de até 15 cm, temos solos basicamente corrigidos, mas abaixo disso, a grande maioria dos solos estão com problemas. Isso ocorreu porque passamos as últimas três décadas sem trabalhar essas camadas mais profundas. Diante disso, buscamos uma saída para esse problema, pois sem descompactar o solo as raízes das plantas não conseguem descer tanto em busca de nutrientes e água, logo, não apresentam todo seu potencial genético produtivo”, explica.

O equipamento Fertillus, que realiza a descompactação física do solo, faz com que o solo mesmo “afrouxe”, possibilitando a aeração e maior infiltração de água no solo e, ao mesmo tempo, realiza a aplicação de calcário no sulco, corrigindo a acidez e a falta de nutrientes na camada abaixo dos 15 cm até os 40 cm de profundidade. “Assim, as raízes descem e ficam menos suscetíveis aos veranicos, que quando ocorrem em momentos em que a cultura esteja em processo de formação de componentes de rendimento, acaba não sofrendo estresse hídrico e isso traz segurança na produtividade”, acrescenta.

Atualmente, o potencial genético existente no mercado é alto e o que se deseja com a tecnologia da Fertillus é avançar nesse campo. Nas décadas de 60 a 80, a produtividade de soja por hectare variava entre 28 a 36 sacos. Depois de instalado o sistema Plantio Direto, essas médias passaram para 45 e 75 sc/ha. Mas algumas áreas em que foram realizados trabalhos com o solo, a produtividade superou as 100 sc/ha.

Nesse momento, Paulo Montagner com auxílio de técnicos da área, viram que o potencial genético das variedades tem resposta para dar, mas que seria preciso tratar o solo. “É preciso disponibilizar o nutriente e a água em todas as camadas. Se as raízes ficam superficiais elas só recebem ao redor dela é só vão responder até esse ponto”, acrescenta.

Montagner ressalta que nos últimos anos iniciou-se uma divisão de ideias. Um grupo pesquisava culturas e plantas com raízes para realizar a descompactação natural e seguir com o sistema Plantio Direto. Outras ideias estavam direcionadas a interromper o PD para incorporar o calcário e começar novamente o PD. “E isso é ruim, porque expor o solo a chuvas torrenciais, a erosão, correr o risco de perder os nutrientes da terra, estaríamos perdendo os benefícios do PD. “Quando apresentei esta máquina e alguns resultados iniciais do que acontecia com as raízes, o grupo se uniu e voltou a trabalhar o PD e pensar em novas possibilidades de manejo e correção do solo sem interromper o PD. Passamos do Plantio Direto para um plantio de produtividade. É um novo marco para a agricultura”, destaca Paulo.

 

Carreira

Natural de Faxinal do Soturno, interior do Rio Grande do Sul, desde criança Paulo Montagner, despertou interesse pelo funcionamento e construção da parte mecânica dos brinquedos. Aos 12 anos de idade construía seus próprios brinquedos, aos 16 projetou um minicarro com motor. O desejo pela mecânica sempre existiu e foi o que o levou a cursar a faculdade de engenharia mecânica na Universidade de Passo Fundo. Antes mesmo de concluir o curso, em 1979, começou a trabalhar na empresa Semeato, quando se falava que o futuro seria o Plantio Direto.

Na empresa participou dos primeiros projetos de máquinas agrícolas. Quando ocupava o cargo de diretor de pesquisa e desenvolvimento da empresa pioneira em PD, na década de 90, foi o período em que o Brasil atingiu 82% de Plantio Direto.

Depois de 18 anos, fundou a Metasa S/A que desenvolveu novas tecnologias de semeadoras e mais tarde foi adquirida pela Kuhn do Brasil Implementos Agrícolas. Em 2013 criou sua empresa prestadora de serviços Protec, onde desenvolve projeto de equipamentos agrícolas. Em 2017 fundou a Montagner com um grupo de sócios, onde lançaram dois produtos: a Fertillus e a plataforma de milho, Supera. Para 2018 mais duas tecnologias serão disponibilizadas no mercado. Ao longo de sua carreira, foram inúmeros projetos de tecnologia em favor do homem do campo, visando resolver seus problemas e auxiliar suas atividades foram criados e lançados no mercado nacional.

 

Fertillus

A Fertillus trabalha em uma camada mais profunda do solo, com hastes de até 40 cm, com espaçamento entre hastes de 40 cm ou 50 cm, descompactando o solo por profundo e profuso e, com o auxílio de uma turbina do ar, injeta o produto (calcário), procurando todas galerias para que se espalhe o máximo possível para fazer a homogeneização do solo. A indicação é de repetir a operação a cada três ou quatro anos.

Para a pequena propriedade, prestadores de serviço podem locar as máquinas como já fazem com calcário em superfície, por exemplo.

 

Expodireto Cotrijal

A tecnologia estará exposta na Expodireto Cotrijal, entre 5 e 9 de março, em Não-Me-Toque/RS. O estande da Montagner está localizado na Avenida A, próximo ao estande da Case.